Existe nas pedras uma senhora
Ignorada por todos e por todos abusada.
Nos caminhos calcados,
Pelos pés imundos das bestas,
Sofre uma bela dama
Senhora do Sol, da Lua e das festas.
É ela a grande senhora
De seios pesados, fonte da vida
Sua corpulenta efígie repousa
Sob o solo molhado,
De manto verde vestida.
De pele queimada pelo Sol, e
Rugas esculpidas pelas horas infindas,
Sob um sorriso incompreensível esconde
A dor que perfura seu âmago quente.
Mãezinha porque choras?
O que te faz sofrer tanto?
São teus filhos bastardos que sem demoras,
Caíram na desgraça e te causam pranto?
Mãe de todos, porque deixas
Que te espetem e perfurem?
Porque te permites que façam sofrer?
Porque é que te deixas morrer?
Ergue teu pesado corpo!
Levanta a tua grande mão
Derruba os engenhos medrosos e
Atira a indústria para a perdição!
Ouve o Som belicoso
Do vento a passar pelos ramos
Das tuas filhas amadas
Furiosas com tantos danos.
Tuas lágrimas são o sinal
De tão grande confronto
Que irá, no seu fim, culminar
Com o término do nosso mundo.
Madeira torce-se, raízes livram-se!
O exército verde ergue-se,
Perante selva metálica e morta,
Fortaleza dos que te esqueceram.
Depois do fogo e do aço,
Após restarem somente
Ruínas de vergonhoso passado
Convidar-te-ei a dançar de novo,
Sobre sementes futuras
Por entre teus filhos, com teu povo.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
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