quarta-feira, 10 de junho de 2009

"Suspiros sobre a realidade" - II - A Inexistência da Alma

A alma não existe.
A alma, conceito religioso ou artístico, é uma invenção humana, para que o Homem se sinta confortado, na finitude da sua realidade, iludido com a possibilidade de uma imortalidade, já que não corpórea, ao menos espiritual.
A consciência, isto é, o pensamento é somente um conjunto de transformações e ligações químicas e eléctricas a ocorrerem no cérebro de cada um de nós, como qualquer neuro-cientista vos pode confirmar e mesmo provar. Admitir que existe alma é admitir que existe a sua infinitude quer espiritual quer temporal, o que é inconcebível tanto para a matéria como para qualquer tipo de energia, sendo mesmo o vazio e o tempo elementos finitos, quer façam estes parte da realidade ou da nossa percepção, como humanos, desta.
Se a realidade é formada por coisas que existem e outras que não existe, não havendo anda entre elas e sendo ambas finitas, então não existe alma, pois para existir teria se fazer parte da realidade e a realidade, e os elementos que a constituem, são finitos, e sendo a alma infinita não faz parte da realidade.

Pacha Mama - Ode á Mãe Terra

Existe nas pedras uma senhora
Ignorada por todos e por todos abusada.

Nos caminhos calcados,
Pelos pés imundos das bestas,
Sofre uma bela dama
Senhora do Sol, da Lua e das festas.

É ela a grande senhora
De seios pesados, fonte da vida
Sua corpulenta efígie repousa
Sob o solo molhado,
De manto verde vestida.

De pele queimada pelo Sol, e
Rugas esculpidas pelas horas infindas,
Sob um sorriso incompreensível esconde
A dor que perfura seu âmago quente.

Mãezinha porque choras?
O que te faz sofrer tanto?
São teus filhos bastardos que sem demoras,
Caíram na desgraça e te causam pranto?

Mãe de todos, porque deixas
Que te espetem e perfurem?
Porque te permites que façam sofrer?
Porque é que te deixas morrer?

Ergue teu pesado corpo!
Levanta a tua grande mão
Derruba os engenhos medrosos e
Atira a indústria para a perdição!

Ouve o Som belicoso
Do vento a passar pelos ramos
Das tuas filhas amadas
Furiosas com tantos danos.

Tuas lágrimas são o sinal
De tão grande confronto
Que irá, no seu fim, culminar
Com o término do nosso mundo.

Madeira torce-se, raízes livram-se!
O exército verde ergue-se,
Perante selva metálica e morta,
Fortaleza dos que te esqueceram.

Depois do fogo e do aço,
Após restarem somente
Ruínas de vergonhoso passado
Convidar-te-ei a dançar de novo,
Sobre sementes futuras
Por entre teus filhos, com teu povo.